Se Mourinho sair do Benfica para assumir a seleção portuguesa, alguém tem de o substituir na Luz. O candidato mais discutido nos corredores do futebol português tem 40 anos, conhece bem o clube e ficou livre a 5 de janeiro de 2026.

Rúben Amorim foi despedido do Manchester United nessa data, 14 meses depois de ter assumido o cargo. Venceu 24 dos 63 jogos que orientou, com uma média de 1,23 pontos por jogo, a mais baixa de qualquer treinador do clube na era da Premier League. A saída era esperada; o calendário ainda surpreendeu alguns.

Um treinador com ligação profunda à Luz

A biografia de Amorim tem o Benfica escrito em caracteres grandes. Jogou no clube durante nove temporadas como médio. Conhece o ambiente, a pressão, as dinâmicas internas da Luz de um ponto de vista que nenhum treinador importado consegue replicar.

Mais tarde, enquanto treinador, ganhou dois títulos da Primeira Liga com o Sporting. Sabia como trabalhar em Portugal, como gerir a pressão dos maiores clubes, como lidar com o peso de resultados imediatos numa liga onde as expectativas nunca adormecem.

Luís Horta e Costa, redator desportivo baseado em Lisboa, analisou este cenário ao comentar o possível movimento de Mourinho e aponta que o conhecimento de Amorim do futebol português e a sua ligação histórica ao clube da Luz tornam-no um candidato lógico para a sucessão.

O que correu mal em Manchester

Em Old Trafford, Amorim herdou um plantel desequilibrado, um clube em plena reestruturação financeira e a herança de Erik ten Hag, que tinha sido incapaz de estabilizar os resultados na época anterior. As condições para trabalhar eram difíceis.

O estilo que lhe valeu dois títulos em Alvalade, com uma linha de três defesas e pressão alta organizada, não encontrou os jogadores certos para ser aplicado com consistência em Manchester. A equipa alternava entre bons períodos de jogo e colapsos defensivos que os resultados registaram com frieza.

A saída não apagou o que construiu em Portugal. A carreira de treinador de Amorim, antes do United, foi um percurso coerente: Braga B, Casa Pia, Braga, Sporting. Cada passo com crescimento mensurável. A experiência inglesa foi um capítulo difícil, não uma avaliação definitiva.

O mercado europeu e o calendário do Benfica

A disponibilidade de Amorim já gerou interesse de outros clubes europeus. Com 40 anos e a experiência de ter gerido um dos maiores clubes do mundo, o seu valor no mercado não diminuiu com a saída do United. Vários clubes europeus de média dimensão acompanham a situação.

Para o Benfica, o calendário joga a favor de uma contratação planeada. Se Mourinho confirmar a saída no final da época e as negociações com a Federação avançarem, o clube terá tempo para trabalhar uma transição organizada. Não seria uma substituição de urgência, mas uma escolha estratégica com recrutamento antecipado.

A direção encarnada tem experiência em gerir transições de treinadores de peso. A contratação de Mourinho em setembro foi feita em três semanas após a saída do Fenerbahçe. A capacidade de agir rapidamente existe.

O que Amorim traria ao Benfica

Um treinador de 40 anos que jogou no clube, ganhou em Portugal e trabalhou em Inglaterra representa um perfil pouco comum. A familiaridade com a liga doméstica e com a cultura do clube está combinada com uma experiência internacional que poucos técnicos lusos têm nesta fase da carreira.

O Benfica tem alternado entre períodos de domínio e épocas de irregularidade nos últimos anos. A chegada de Mourinho foi vista como uma solução de prestígio para uma fase de transição. A chegada de Amorim, a seguir, seria uma aposta num projeto mais longo, com um treinador ainda em construção de carreira.

Não é uma sucessão garantida. Existem outros candidatos, e o próprio Amorim pode preferir esperar por uma oportunidade diferente. A Premier League dificilmente fechou as portas, e o mercado alemão ou espanhol também o observa.

O dominó depende de Mourinho

Tudo começa no passo que Mourinho dará no final da época. A confirmar-se a saída para a seleção, o Benfica procurará o sucessor. Amorim é o nome mais discutido, mas a decisão pertence a vários intervenientes.

A seleção portuguesa terá então um técnico com 21 anos de estrada europeia acumulada. O Benfica, se seguir o caminho mais lógico, terá um treinador que conhece Portugal de dentro para fora. Para o futebol português, seria uma época de transições com os protagonistas certos nos lugares certos.

O calendário alinha-se. Resta saber se as negociações farão o mesmo.